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Histórias conhecidas por todos

Conhecimento Popular

Relatos, crenças e mitos que circulam pelas tavernas, templos e estradas de Icarus — verdades possíveis que moldam a visão do povo.

Orin Àiukú

Orin Àiukú

Nas escrituras antigas, é contado que, no princípio dos tempos, quando o vazio dominava tudo, a Divindade Primordial conhecida como Orun surgiu da vastidão.

Com sua imensa energia, Orun criou o mundo de Icarus em sua forma bruta, uma terra selvagem e indomável, com montanhas que se erguiam até os céus, mares infinitos e furiosos, e florestas titânicas onde as copas das árvores gigantes bloqueavam a luz do sol, mergulhando o solo em sombras perenes.

Para moldar esse caos em algo habitável, Orun criou os Baldurs, os primeiros seres divinos além dele. Os Baldurs foram incumbidos de decantar e transformar Icarus. Os mares agitados se acalmaram e se dividiram em rios serenos, lagos cristalinos, e enseadas pacíficas. As vastas florestas se dispersaram, dando origem a florestas menores, bosques tranquilos e planícies abertas. Das montanhas altíssimas, surgiram túneis profundos e cavernas secretas, moldando o mundo com equilíbrio e harmonia.

Antes de povoar o mundo com seres vivos, Orun criou os Alfars, divindades cuja essência emanava do próprio Núcleo de Icarus, localizado no coração da terra. Juntos, Alfars, Baldurs e Orun deram vida às primeiras raças e criaturas que caminhariam em harmonia com a natureza.

Uma vez que o trabalho de criação estava completo, Orun desapareceu. Alguns acreditam que ele morreu, outros que partiu para um plano superior, e há quem diga que ele nunca existiu de fato, sendo apenas uma lenda. No entanto, seu legado permanece nas terras, nos ventos e nas águas de Icarus.

A Purificação Divina

A Purificação Divina

Segundo as antigas crenças, Orun, a primeira divindade, havia deixado para os Baldurs a tarefa monumental de decantar Icarus — um processo essencial para moldar o mundo bruto em um lugar habitável para as raças e criaturas que viriam a existir. Para cumprir tal missão, os Baldurs recorreram ao Opon Ifá, o único artefato divino criado por Orun. Esta tábua de adivinhação era uma ferramenta sagrada, capaz de guiar os deuses no equilíbrio do destino e da criação.

Contudo, Odincia, nutrindo um desejo profundo de inveja por não ter sido a primeira ou única divindade criada por Orun, arquitetou uma trama sombria. Ela enganou Béllica e Nocturna, fazendo-as acreditar que os Baldurs haviam enfraquecido Orun, levando à sua misteriosa partida.

A semente da discórdia, plantada por Odincia, floresceu em revolta nos corações de suas irmãs. Convencidas de que os Baldurs haviam traído seu criador, Nocturna, Odincia e Béllica passaram a influenciar sutilmente seus seguidores mais devotos — clérigos e paladinos — incitando-os a iniciar uma cruzada contra os Baldurs.

A Cruzada Sagrada durou décadas, marcando as crônicas de Icarus como a primeira grande tragédia da humanidade. Os seguidores dos Baldurs foram massacrados nas sangrentas batalhas que varreram os campos de Icarus. O conflito se arrastou por mais de oitenta anos, encharcando o solo com o sangue dos devotos e deixando cicatrizes profundas na terra e nos corações.

Entretanto, nem todos os Alfars apoiavam a carnificina. Justar, Logos e Amorina, recusaram-se a compactuar com a violência e buscaram uma solução para pôr fim ao caos. Eles sabiam que a sobrevivência de Icarus dependia da cooperação e da harmonia entre divindades e mortais, e, por isso, uniram-se aos Baldurs em uma tentativa de restaurar a paz.

Juntos, forjaram o primeiro guerreiro divino, uma entidade nascida da fusão de energias divinas, um ser criado para transcender a guerra e restaurar o equilíbrio. Esse guerreiro possuía o poder de ambos os lados, não lutando pela glória individual, mas pela salvação de Icarus.

Assim, a guerra finalmente chegou ao seu fim, e o evento ficou conhecido como "A Purificação Divina". Embora a paz tenha sido restaurada, as cicatrizes da guerra permaneceram. A cruzada deixou marcas indeléveis em Icarus, e as lendas desse tempo sombrio continuam a ser contadas em sussurros pelas gerações futuras, como um lembrete de que mesmo as divindades não estão imunes à inveja, ao ódio e à destruição.